PEDRA SABÃO – História

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Pedra Sabão – Soap Rock – Soap Stone – Esteatito

Esteatito (também pedra de talco ou pedra-sabão) é o nome dado a uma rocha metamórfica, compacta, composta sobretudo de talco (também chamado de esteatite ou esteatita) mas contendo muitos outros minerais como magnesita, clorita, tremolita e quartzo, por exemplo. É uma rocha muito branda e de baixa dureza, por conter grandes quantidades de talco na sua constituição. A pedra-sabão é encontrada em cores que vão de cinza a verde. Ao tato, dá uma sensação de ser oleosa ou saponácea, derivando-se daí sua designação de pedra-sabão. Existem grandes depósitos, de valor comercial no Brasil, em maior escala no estado de Minas Gerais.

Características físicas

A pedra-sabão é praticamente impenetrável. Não é afetada por substâncias alcalinas ou ácidas. Uma das notáveis características da pedra-sabão é sua excelente capacidade de resistir a extremos de temperatura desde muito abaixo de zero até acima de cerca 1000°C. A pedra-sabão resiste às exposições e mudanças de condições atmosféricas durante séculos.

A 709 metros de altitude, com cerca de 30 metros de altura e totalmente revestida de chapas de pedra-sabão, a estátua do Cristo Redentor foi construída entre 1926 à 1931. Desde sua concepção, há quase 80 anos, está exposta a rigorosas condições atmosféricas, inclusive poluição do ar e consequentemente, chuva ácida, sem ser afetada. Nossa empresa que presta manutenções neste monumento!

A pedra-sabão é relativamente macia devido ao seu teor de talco (o talco sendo considerado de dureza grau um na escala Mohs).

Usos da pedra-sabão

Este tipo de rocha é muito utilizado em escultura e decoração, pela facilidade com que é trabalhada. O seu uso é generalizado pelo mundo fora: desde as esculturas tradicionais dos Inuit até a algumas obras do Aleijadinho[1]. É especialmente utilizada na construção de lareiras, também pela sua capacidade de absorver e distribuir de forma regular o calor.

A pedra-sabão, em virtude de suas excelentes propriedades de absorção de calor, retém quase todo o calor produzido pela fonte de energia (madeira, carvão mineral, carvão vegetal, gás, energia elétrica) e o conduz rapidamente, através do chamado aquecimento de massa térmica. Isto significa que a própria pedra atua como uma eficiente fonte de calor e não a chama propriamente dita, como acontece com as tradicionais lareiras abertas. Por outras palavras, o calor absorvido pela massa da pedra-sabão é, em seguida, liberado lenta e uniformemente no passar do tempo, mesmo após a fonte de calor se extinguir ou ser desligada. Outra característica notável da pedra-sabão é que gera calor radiante, enquanto permanece, em geral, isenta de perigo ao toque.

No Brasil, especialmente no Estado de Minas Gerais, esta pedra é usada para a confecção de porta-jóias, panelas, canecas, taças de vinho, além de souvenirs para turistas e estatuetas de artesanato local. Algumas tribos da América do Norte utilizavam a pedra-sabão para produzir tigelas, recipientes para cozinha e outros objetos; historicamente, este hábito era particularmente comum durante o chamado período arqueológico arcaico.[2] Outras tribos faziam cachimbos de pedra-sabão para fumar tabaco; inúmeros exemplares já foram encontrados em artifatos de diferentes culturas de nativos norte-americanos e outros continuam em uso nos dias de hoje. A baixa condutividade de calor da pedra-sabão permite o fumo de forma prolongada, sem que o cachimbo se aqueça demais.[3]

Os Vikings escavavam pedra-sabão diretamente da pedra matriz, manufaturavam panelas e as vendiam localmente e no exterior.[4]

Tepe Yahya, uma antiga cidade comerciante no sudeste do Irã, era um centro de produção e distribuição de pedra-sabão nos anos de 5000 a 3000 A.C.[5] A pedra-sabão também era utilizada na Civilização Minoica em Creta. No Palácio de Knossos, a recuperação arqueológica incluiu uma magnificente mesa ceremonial feita de estereatita.[6]

Os Iorubás do oeste da Nigéria utilizavam pedra-sabão em muitas estátuas, especialmente em Esie, onde arqueologistas descobriram centenas de estátuas de homens e mulheres do tamanho de metade de uma pessoa. Os Iorubás de Ife também produziram um obelisco em miniatura de pedra-sabão com animais de metal chamada supersticiosamente de “os empregados de Oranmiyan”.

A pedra-sabão tem sido usada na Índia durante séculos como material para esculturas. A mineração desta pedra para atender a demanda mundial de talco está ameaçando o habitat natural dos tigres indianos.[7] Os templos do Império Hoysala eram feitos de pedra-sabão.[8]

A pedra-sabão é usada por ferreiros como um marcador pois, devido à sua resistência ao calor, ela se mantém visível mesmo quando aquecida. Também vem sendo utilizada por muitos anos por costureiras, carpinteiros e outros artesãos como um giz para fazer marcas no material a ser trabalhado, pois suas marcas são visíveis e podem ser apagadas.

Outro uso deste material é o de servir como molde para trabalhar materiais maleáveis como o peltre ou prata, devido à sua facilidade de ser trabalhado e sua não degradação com o calor. A superfície lisa da pedra-sabão permite a fácil retirada do objeto fundido do molde.

Pedra-sabão minada localmente era utilizada como pedra de túmulos no nordeste do estado da Geórgia, EUA, do século XIX, nas regiões de Dahlonega e Cleveland.

A pedra-sabão também é bastante utilizada pelos chineses para a confecção de selos (em forma de carimbo) para a assinatura de cartas e documentos.

A pedra-sabão é comumente utilizada como isolante elétrico ou como caixa de força que abriga componentes elétricos, devido à sua durabilidade e baixa condutividade elétrica, e porque pode ser moldada em formatos complexos mediante fundição. O estereatito sofre transformações nas suas propriedades físico-químicas quando aquecido em temperaturas de 1000–1200 °C, convertendo-se em enstatita and cristobalita. Na escala Mohs, esta transformação corresponde a um aumento de dureza de 1 para 5.5–6.5.[9]

Como tratar a pedra-sabão

Utilizar óleo mineral (qualquer tipo de óleo hidrocarbônico, que pode ser adquirido em farmácias). Esfregar o óleo na pedra. Remover excedentes para que não haja aparência de molhado. No passar do tempo, fazer nova aplicação de óleo. Os seladores de pedras produzem pouco efeito sobre a pedra-sabão, em comparação com granito ou ardósia. Fazer a limpeza com esponja ou com pano macio, utilizando água limpa e detergente neutro, se necessário.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Referências

  1. Pedra-Sabão. Girafamania – Acessado em 20 de abril de 2008.
  2. Sassaman, Kenneth E., Early Pottery in the Southeast:Tradition and Innovation in Cooking Technology, University of Alabama Press, 1993 ISBN 0-8173-0670-6
  3. Witthoft, J.G., 1949, “Stone Pipes of the Historic Cherokees”, Southern Indian Studies 1(2):43–62.
  4. Else Rosendahl, The Vikings, The Penguin Press, 1987, page 105
  5. “Tepe Yahya,” Encyclopædia Britannica, 2004. Britannica Concise Encyclopedia. 3 January 2004, Britannica.com
  6. C.Michael Hogan (2007) “Knossos Fieldnotes”, The Modern Antiquarian
  7. Barnett, Antony. “West’s love of talc threatens India’s tigers“, The Guardian, 2003-06-22. Página visitada em 2007-01-09.
  8. Belur, Halebid and Sravanabelagola. Página visitada em 2007-01-09.
  9. “Some Important Aspects of the Harappan Technological Tradition,” Bhan KK, Vidale M and Kenoyer JM, in Indian Archaeology in Retrospect/edited by S. Settar and Ravi Korisettar, Manohar Press, New Delhi, 2002.

MAIS REFERÊNCIAS:

Identificação do Produto Esteatito/Pedra Sabão

1 – INFORMAÇÕES GERAIS
A rocha é um magnesita esteatito com clorita, metaultrabásica do fácies xistos verdes do arqueozóico com idade superior a 2,7 bilhões de anos. São corpos intrusivos encaixados em rochas de supergrupo Rio da Velhas (Door, 1964), encontrados nas bordas do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais-Brasil. Desde o século XVIII estes corpos são explorados através de ferramentas rústicas por trabalhadores braçais para confecção de obras de arte (com destaque para as obras do mestre Aleijadinho), construção civil ( alisares, molduras, colunas etc…) e utensílios de cozinha utilizados diretamente ao fogo, como panelas, formas etc…Apresenta coloração cinza clara com fraco tom esverdeado e aspecto mosqueado por causa dos porfiroblastos de magnesita.

2 – COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA (% VOLUMÉTRICA)
Esteatito contém: 87,9% de esteatita; 8,7% de magnesita; 3,2% de clorita; 0,2% de opacos. Não apresenta em sua composição minerais de amianto ou asbesto (fibrosos ou aciculares).

3. TEXTURA
Fanerítica fina, diâmetro dos cristais variando entre 0,2 a 0,8mm.

4. ESTRUTURA MACROSCÓPICA
É praticamente maciça, com pequena variação na distribuição dos porfiroblastos de magnesita.

5. ESTRUTURA MICROSCÓPICA
Decussada, com porfiroblastos de magnesita com diâmetro variando de 2 a 10mm.

6.DENSIDADE APARENTE (MÉTODO PROVETA)
2,79g/cm³.

7. DENSIDADE REAL (MÉTODO PICNÔMETRO)
2,83g/cm³.

8. DUREZA (MÉTODO ESCALA DE MOHS)
1,0

9. ABSORÇÃO DE ÁGUA
Máxima 0,1% em 1 horas.

10. RESISTÊNCIA A COMPRESSÃO UNIAXIAL
Média 32,7 Mpa.

11. RESISTÊNCIA À FLEXÃO
Média 7,20 Mpa.

12. RESISTÊNCIA AO IMPACTO
Altura de ruptura 57 cm.

13. RESISTÊNCIA AO FOGO
Sem perturbação até 490° Celsius.

14. RESISTÊNCIA AO CONGELAMENTO E DEGELO
Cenf=0,717.

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